Pesquisa nacional Data Popular, realizada em
parceria com o Instituto Patrícia Galvão, revela que 67% dos
entrevistados gostariam de ver mais morenas nas propagandas na TV, 51%
querem ver mais mulheres negras e 56% não acreditam que os anúncios
mostrem a mulher da vida real. Entre os homens e mulheres
entrevistados, 78% veem mais mulheres jovens nas propagandas e a maioria
gostaria de ver mais mulheres maduras.
Continua aqui!
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
Documentário vai mostrar preconceito contra cabelo afrodescendente
Redação Correio Nagô – Universitários de Curitiba
(PR) estão procurando mulheres que já ouviram comentários pejorativos em
relação ao cabelo afro para participar do documentário "Qual é o Pente
Que Te Penteia?".
Definido como uma produção universitária independente, o documentários, segundo a produção, tem como objetivo “mostrar a relação da mulher afrodescendente com o seu cabelo”.
“A ideia é traduzir a diversidade, as peculiaridades da afrodescendência, ressaltando esse elemento forte, que é o cabelo. Uniremos as imagens aos depoimentos das mulheres a respeito de episódios em que foram vítimas de comentários de origem racista”, ressaltam.
A produção está à procura de mulheres afrodescendentes que: já ouviram comentários pejorativos em relação ao seu cabelo afro; cresceram duvidando do próprio potencial de beleza em função de uma incorporação do comportamento racista ainda presente na sociedade; compreendem a intensidade do simples ato de soltar os cabelos e como isso pode reforçar a sua identidade e que queiram contar seus relatos.
(...)
Definido como uma produção universitária independente, o documentários, segundo a produção, tem como objetivo “mostrar a relação da mulher afrodescendente com o seu cabelo”.
“A ideia é traduzir a diversidade, as peculiaridades da afrodescendência, ressaltando esse elemento forte, que é o cabelo. Uniremos as imagens aos depoimentos das mulheres a respeito de episódios em que foram vítimas de comentários de origem racista”, ressaltam.
A produção está à procura de mulheres afrodescendentes que: já ouviram comentários pejorativos em relação ao seu cabelo afro; cresceram duvidando do próprio potencial de beleza em função de uma incorporação do comportamento racista ainda presente na sociedade; compreendem a intensidade do simples ato de soltar os cabelos e como isso pode reforçar a sua identidade e que queiram contar seus relatos.
(...)
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Cresce a distância entre rendimento de homens e mulheres, diz IBGE
Em outro movimento inverso ao de anos anteriores, cresceu a distância
entre o rendimento de homens e mulheres, apesar da maior inserção delas
no mercado de trabalho. O dado é mais um sinal de piora da desigualdade,
já apontada pelo aumento mais forte da renda dos mais ricos.
Elas ganhavam 73,9% da remuneração de homens em 2011 e passaram a receber uma fatia menor em 2012 --72,9%. O retrocesso, segundo o IBGE, se deve ao fato de que a renda das mulheres subiu menos do que a dos homens --5,8%, contra 6,3%, respectivamente.
Continuar lendo...
Elas ganhavam 73,9% da remuneração de homens em 2011 e passaram a receber uma fatia menor em 2012 --72,9%. O retrocesso, segundo o IBGE, se deve ao fato de que a renda das mulheres subiu menos do que a dos homens --5,8%, contra 6,3%, respectivamente.
Continuar lendo...
Deputados italianos se beijam em protesto contra a falta de direitos LGBT no país.
Um grupo de legisladores italianos promoveu um beijo coletivo para
interromper um debate que decorreu na última sexta-feira como protesto à
falta de leis na defesa da população LGBT italiana. Em causa está uma
medida aprovada, no dia anterior, que estende a lei de
anti-descriminação de 1993 aos casos de “crimes motivados por homofobia e
transfobia”. O jornal La Republica publicou que a lei foi aprovada com
354 votos contra 79, pela Câmara de Deputados. No entanto, o PdL,
Partido de Silvio Berlusconi, terá feito declarações no sentido da mesma
não ser aprovada pelo Senado italiano.
Um grupo de deputados do partido M5S (Movimento 5 Estrelas), como forma
de protesto ao possível chumbo da lei, levantou-se durante a discussão
para beijar e/ou abraçar uma pessoa do mesmo sexo, enquanto outras
seguraram cartazes apelando a “mais direitos” LGBT na Itália. Defendem a
“igualdade de direitos e dignidade sem género. Porque um beijo e um
abraço não devem ser assustadores”.
http://www.youtube.com/watch?v=b0_-LXgfWqs
Ainda que a lei venha a ser aprovada, os grupos LGBT têm-se manifestado
negativamente sobre o conteúdo do projecto, alegando que esta pode ser
uma lei “inútil”. Explicam que o projecto original, apresentado em
Outubro de 2012, terá sofrido alterações significativas por pressão dos
partidos da direita. Assim, a lei é considerada “perigosa” porque embora
penalize a homofobia e transfobia, não prevê a descriminação com base
na “orientação sexual” e “identidade de género”, conceitos que não são
omissos no projecto de lei.
Esta notícia surge numa altura em que a Itália, tem sido reconhecida
pela Amnistia Internacional, como um dos países mais
homofóbicos/transfóbicos na União Europeia. Falham, principalmente na
implementação de leis anti-disciminatórias com base na orientação sexual
e identidade de género, onde estes crimes não são considerados crimes
de ódio.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Negro gaúcho. Memória farroupilha ou lanceira?
Por Letícia Maria para as Blogueiras Negras
Baseado no discurso do senso comum, nas poucas vezes que sai do Rio Grande do Sul, fui olhada com estranhamento, quando me apresentava como gaúcha: em alguns lugares ainda se imagina que é um estado sem negros.
O Rio Grande do Sul é tido como o estado mais europeu do Brasil. É fato que as correntes migratórias foram fortes por aqui (açorianos em 1740, alemães em 1824, italianos em 1875). Mas antes desses imigrantes chegarem, diversas etnias indígenas já habitavam o território, além dos negros, que chegaram a partir 1737.
O charque foi uma solução encontrada para aproveitar melhor a carne, que salgada e seca tinha uma durabilidade maior, e era comercializada, mas vinha sendo desvalorizado cada vez mais, o seu valor reduzia-se basicamente ao couro e ao sebo.
O escravo gaúcho, no campo, normalmente se dividia em dois grupos: o da charqueada e o campeiro. A lida de um escravo campeiro, em geral, não era tão ”penosa” como nas charqueadas, visto que se trabalhava a cavalo e entre poucas pessoas. Essa função era vista como perigosa pois a estes cativos eram entregues instrumentos de trabalho e andavam a cavalo sem nenhuma vigilância. Isso reforça o mito de que a escravidão no RS tenha sido mais branda, pois nas charqueadas e nas fazendas cafeicultoras e açucareiras, não se encontrava escravos com tais níveis de “liberdade”, no entanto não há um consenso entre os historiadores a respeito da participação do escravo na atividade pastoril.
No entanto, sabemos que a exploração da mão de obra negra tenha sido amena nesse estado. A realidade, é que a população negra tinha um grande crescimento, o que impulsionou o envio de imigrantes para “clarear” a terra.
Mas a saber, os negros foram convocados a lutar por seus senhores, que ocupavam grandes postos nos exércitos, enquanto os seus escravos compunham o front de batalha: os lanceiros negros. Negros estes que receberam apenas lanças para lutar, e ficava a frente da cavalaria, popularmente, “bucha de canhão”.
Nos anos finais, a manutenção do conflito era muito cara e custosa, as negociações de paz estavam tramitando. Negociando o preço dos impostos sobre o charque, os revolucionários farroupilhas receberiam a anistia e seriam incorporados ao exército imperial (para lutar a Guerra do Paraguai). No entanto, os negros que lutaram, nada receberiam… os boatos de que os que lutaram receberiam a liberdade não passava de um blefe, para que não fugissem para o Uruguai, onde a escravidão já havia acabado.
Os negros sofreram um grande golpe dos farroupilhas: na noite de 14 de novembro de 1844, foram desarmados a mando do General David Canabarro, e mortos na chacina do Cerco de Porongos, na atual cidade de Pinheiro Machado.
Os negros foram entregues à morte pelo comandante do exército farroupilha, em um (dos vários) acordo(s) que desencadearam no Tratado de Paz de Ponche Verde, em 1º de março de 1845.
A Revolução Farroupilha, conflito burguês que massacrou os pobres e negros do RS, hoje, no Vinte de Setembro é comemorado como data máxima do povo gaúcho.
A concepção de cultura, patrimônio, e, sobretudo tradição, utilizada pelo movimento tradicionalista gaúcho é bastante peculiar: vai ao encontro do projeto político defendido e voltado a um passado glorioso, com vistas às gerações futuras.
O tradicionalismo, nesse sentido, é um elemento difusor ideológico, a serviço do Estado e de uma classe social, através do qual é de interesse que sentimentos e valores sejam disseminados, juntamente com um progressivo discurso moralista, presente nas mais diversas ações e costumes.
A representação de um setor da sociedade, em detrimento dos demais, é algum muito ruim. É opressor. Violenta os demais.
O Rio Grande do Sul é um estado onde vivem negros. Um estado onde negros colaboraram com sua cultura, com sua historicidade, com seus valores, com sua religião.
Nós, negros, estamos aqui. Reivindicamos a memória aos Lanceiros Negros, que viveram, lutaram e morrem por liberdade.
Baseado no discurso do senso comum, nas poucas vezes que sai do Rio Grande do Sul, fui olhada com estranhamento, quando me apresentava como gaúcha: em alguns lugares ainda se imagina que é um estado sem negros.
O Rio Grande do Sul é tido como o estado mais europeu do Brasil. É fato que as correntes migratórias foram fortes por aqui (açorianos em 1740, alemães em 1824, italianos em 1875). Mas antes desses imigrantes chegarem, diversas etnias indígenas já habitavam o território, além dos negros, que chegaram a partir 1737.
Chamado “Terra de Ninguém”, o território passou a ser ocupado oficialmente em meados do Século XVIII, com distribuição de Sesmarias (lotes de terra) pelo Rei de Portugal, destinadas à criação de gado e estimulando a imigração e o povoamento. Com a miscigenação entre os nativos e os recém chegados imigrantes, surge então o gaúcho brasileiro, a partir de 1732. Antes disso, com o Tratado de Tordesilhas (1494), o território pertencia a Espanha. Resultado de acordos políticos, a região necessitava de um “povoamento civilizado”, pois outrora era habitado por populações indígenas, portanto, Terra de Ninguém.Os negros no RS foram trazidos para trabalhar nas charquedas, que eram grandes fazendas que produziam charque. Esse produto era comercializado para servir de alimento para os escravos de todo país, e por isso o estado vendia muito.
O charque foi uma solução encontrada para aproveitar melhor a carne, que salgada e seca tinha uma durabilidade maior, e era comercializada, mas vinha sendo desvalorizado cada vez mais, o seu valor reduzia-se basicamente ao couro e ao sebo.
O escravo gaúcho, no campo, normalmente se dividia em dois grupos: o da charqueada e o campeiro. A lida de um escravo campeiro, em geral, não era tão ”penosa” como nas charqueadas, visto que se trabalhava a cavalo e entre poucas pessoas. Essa função era vista como perigosa pois a estes cativos eram entregues instrumentos de trabalho e andavam a cavalo sem nenhuma vigilância. Isso reforça o mito de que a escravidão no RS tenha sido mais branda, pois nas charqueadas e nas fazendas cafeicultoras e açucareiras, não se encontrava escravos com tais níveis de “liberdade”, no entanto não há um consenso entre os historiadores a respeito da participação do escravo na atividade pastoril.
No entanto, sabemos que a exploração da mão de obra negra tenha sido amena nesse estado. A realidade, é que a população negra tinha um grande crescimento, o que impulsionou o envio de imigrantes para “clarear” a terra.
O gentílico “gaúcho” foi aplicado aos habitantes do atual território do Rio Grande do Sul, de forma pejorativa por motivos políticos, no período da Revolução Farroupilha (1835-1845). Como a terminologia surgiu em razão da pobreza e da mestiçagem, a expressão não era vista com dignidade e valor. Mas de uma utilização pejorativa, o termo gaúcho passou o a ser incorporado pelos próprios rio-grandenses, ao final do conflito, com a assinatura do tratado de Paz, e a incorporação dos soldados gaúchos ao Exército BrasileiroO RS passou por um episódio, lembrado saudosamente pelo movimento tradicionalista, que foi a Revolução Farroupilha, entre 1835 e 1845. Esse foi um conflito, onde a elite local reivindicava menores impostos para o charque gaúcho ao Império. A briga era entre os grandes latifundiários da terra, mas quem acabou lutando foram os pobres e escravos: no começo do conflito, a população negra gaúcha era de 30%.
Mas a saber, os negros foram convocados a lutar por seus senhores, que ocupavam grandes postos nos exércitos, enquanto os seus escravos compunham o front de batalha: os lanceiros negros. Negros estes que receberam apenas lanças para lutar, e ficava a frente da cavalaria, popularmente, “bucha de canhão”.
Nos anos finais, a manutenção do conflito era muito cara e custosa, as negociações de paz estavam tramitando. Negociando o preço dos impostos sobre o charque, os revolucionários farroupilhas receberiam a anistia e seriam incorporados ao exército imperial (para lutar a Guerra do Paraguai). No entanto, os negros que lutaram, nada receberiam… os boatos de que os que lutaram receberiam a liberdade não passava de um blefe, para que não fugissem para o Uruguai, onde a escravidão já havia acabado.
Os negros sofreram um grande golpe dos farroupilhas: na noite de 14 de novembro de 1844, foram desarmados a mando do General David Canabarro, e mortos na chacina do Cerco de Porongos, na atual cidade de Pinheiro Machado.
Os negros foram entregues à morte pelo comandante do exército farroupilha, em um (dos vários) acordo(s) que desencadearam no Tratado de Paz de Ponche Verde, em 1º de março de 1845.
A Revolução Farroupilha, conflito burguês que massacrou os pobres e negros do RS, hoje, no Vinte de Setembro é comemorado como data máxima do povo gaúcho.
É inegável que a Ronda Gaúcha (posteriormente chamada Crioula) teve importante papel para a formação do atual Movimento Tradicionalista. Em 1947, um grupo de estudantes do Colégio Julio de Castilhos, de Porto Alegre, criou um Departamento de Tradições Gaúchas, com fins de preservar a cultura gaúcha, recordando a realidade do campo. De acordo com os documentos do MTG, esses jovens, atuaram em parceria com a Liga da Defesa Nacional, que os incumbiu de fazer o translado dos restos mortais do herói farrapo David Canabarro, que seria transladado de Sant’Ana do Livramento para Porto Alegre. [...] Da última centelha do Fogo Simbólico da Pátria, se acendeu a Chama Crioula, que se matem viva de do dia sete até o vinte de setembro. E com o Grupo dos Oito, é inaugurado o desfile cívico-militar, realizado pela Brigada Militar e pelos jovens tradicionalistas do Vinte de Setembro.Da memória de um conflito que não atendeu interesses populares, se criou uma data comemorativa, para a memória de um grupo social. Que naturalmente, não foram os negros: quando o herói de um povo é o assassino dos que lutaram por esse povo, existe algo de errado, seja no conceito de “herói”, seja o conceito de “memória”, seja o conceito de “pátria”
A concepção de cultura, patrimônio, e, sobretudo tradição, utilizada pelo movimento tradicionalista gaúcho é bastante peculiar: vai ao encontro do projeto político defendido e voltado a um passado glorioso, com vistas às gerações futuras.
O tradicionalismo, nesse sentido, é um elemento difusor ideológico, a serviço do Estado e de uma classe social, através do qual é de interesse que sentimentos e valores sejam disseminados, juntamente com um progressivo discurso moralista, presente nas mais diversas ações e costumes.
Aquele que não pertence ao meio recordado pelo movimento não faz parte da cultura gaúcha. Este se torna alheio ao gauchismo, na medida em que o tradicionalismo cria um passado mítico, constrói-se e dissemina um “gaúcho” ideal, que além de não condizer com o real, exclui uma significativa parcela da população do pertencimento territorial, cultural e político.De alguma forma, não há problemas em um povo homenagear a sua cultura e cultivar as suas tradições. Na teoria, isso é bonito. No entanto, a cultura gaúcha comemorada nos piquetes e nos acampamentos farroupilhas espalhados Rio Grande a fora, não passam de uma versão da história, construída na década de 1940, com início no Estado Novo e fortemente disseminada durante a Ditadura Militar.
A representação de um setor da sociedade, em detrimento dos demais, é algum muito ruim. É opressor. Violenta os demais.
O Rio Grande do Sul é um estado onde vivem negros. Um estado onde negros colaboraram com sua cultura, com sua historicidade, com seus valores, com sua religião.
Nós, negros, estamos aqui. Reivindicamos a memória aos Lanceiros Negros, que viveram, lutaram e morrem por liberdade.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Carta aberta aos humoristas do Brasil
Queridos humoristas do Brasil,
Essa carta é minha humilde tentativa de fazer vocês colocarem a mão na consciência.
Pra começar, me apresento.
Sou, ou fui, um de vocês. Durante grande parte da década de 90, escrevi para a Revista Mad in Brazil sob o pseudônimo Xandelon. Cheguei a ser subeditor uma época, publicava quase todo número e escrevi dezenas de matérias de capa sob encomenda. Com esse dinheiro, pagava minhas contas e vivia disso.
Sei como é um trabalho duro sentar na redação e espremer a cabeça até
sair uma piada. Sei como é frustrante achar que a piada está ótima,
testá-la com o resto da equipe… e ninguém rir.
Então, aos trancos e barrancos, sem nunca ter sido lá brilhante, posso dizer que já fui sim humorista profissional.
Para o humor poder existir, são necessários uma série de pressupostos culturais coletivos, compartilhados pelo humorista e seu público que, convenhamos, muitas vezes são sim machistas, homofóbicos, racistas.
A piada “Sabe como afogar uma loira? Coloca um espelho no fundo na piscina!” só funciona porque tanto humorista quanto platéia “sabem” que loiras são fúteis, vaidosas e burras. Se não compartilhassem esse “conhecimento”, não é nem que a piada não seria engraçada: ela faria tão pouco sentido que não seria nem mesmo coerente enquanto narrativa.
Naturalmente, por esse mesmo motivo, o humor é sempre local: para pessoas de outras culturas, com outros pressupostos culturais compartilhados, a historinha também não faria sentido – pois não teriam a chave pra decodificar a piada, ou seja, que loiras “são burras, fúteis e vaidosas”. (Não são.)
Outro dia, a revista norte-americana Wired fez uma matéria de capa sobre
humor. Pouca gente sabe, mas existem muitos estudos acadêmicos sérios
(sic) sobre o humor, muita gente brilhante tentando entender: porque o
engraçado é engraçado?
Enfim, uma das últimas teorias, citadas na Wired, é que o humor viria de uma violação da ordem estabelecida, seja através de dignidade pessoal (tropeçar na casca de banana, deformidades físicas), normas linguísticas (gago, fanho, sotaques), normais sociais (comportamentos inusitados), e até mesmo normas morais (bestialidade, etc), mas que ao mesmo tempo não representasse uma ameaça ao público ou à sua visão de mundo.
Essa última parte é talvez a mais importante: a violação não pode ameaçar ou contradizer a visão de mundo do público, senão ela nem será compreensível.
Usando o mesmo exemplo acima, até dá pra fazer uma piada sem loiras, mas se a sua piada incluir uma loira, ela vai ter que ser burra, mesmo contra sua vontade, pois assim que mencionar “loira” o público já vai imaginá-la “burra“, mesmo se você acrescentar que é uma loira física nuclear ganhadora do Nobel. Nesse último caso, o público certamente pensaria que a piada era justamente sobre como a loira burra conseguiu virar física nuclear ganhadora do Nobel. Mas não dá pra desfazer a associação loira + burra.
Por outro lado, e é por isso que estou escrevendo
essa carta, se é impossível você humorista acabar sozinho com o
estereótipo da loira burra, é possível não reforçá-lo:
Basta não fazer piadas de loira burra.
Eu sei, eu sei. O estereótipo da loira burra é até inofensivo. É verdade, algumas das pessoas mais inteligentes que já conheci eram lindas loiras que enfrentavam dificuldades constantes de serem levadas a sério no ambiente de trabalho, mas e daí, né? No cômputo geral das coisas, é um pequeno problema.
Fazer rir utilizando esses estereótipos (a loira burra, o preto macaco, a bicha travesti, etc) é muito fácil. E eu não estou dizendo que vocês não podem não. O país é livre e temos liberdade de expressão justamente para isso.
Mas dá pra fazer diferente, eu peço.
Na verdade, eu desafio.
Riu? É, mas não tem graça. A solução está na mão dos homens.
As mulheres são mortas
em tão grandes números, e por seus próprios homens, porque existe uma
cultura machista no Brasil, onde as mulheres são vistas como tendo menos
valor, onde as mulheres são rotuladas ou como santas ou putas, onde uma
mulher viver abertamente sua sexualidade é considerado ofensivo ou repreensível, onde a sexualidade de uma mulher tem impacto direto sobre a honra de seu companheiro.
Se você faz piadas que confirmam os lugares-comuns dessa cultura machista, que objetificam a mulher, que estigmatizam seu comportamento sexual, então você possibilita e reforça essa cultura assassina.
Você é cúmplice.
(Não deixe de ler, aqui no PapodeHomem, meu texto: Feminismo para homens, um curso rápido.)
Os negros são mortos em proporções tão altas, em comparação ao restante da população, porque existe uma cultura racista no Brasil, onde os negros são vistos como tendo menos valor, onde os negros são hiperssexualizados como “negões pauzudos” ou “mulatas rebolantes”, onde o negro é sempre o preguiçoso ou o malandro, o atleta ou o faxineiro, mas nunca (ou raramente) o físico quântico ou o médico, o enxadrista ou galã pegador.
Se você faz piadas que confirmam os lugares-comuns dessa cultura racista, que denigrem o negro (inclusive usar o verbo “denegrir”), que comparam o negro a animais,
que classificam o tipo de cabelo característico dos negros de ruim, que
associam o negro à pobreza, ao crime, à ignorância e a tudo o que há de
mais baixo na escala social, então você possibilita e reforça essa
cultura assassina.
Você é cúmplice.
Os homossexuais são mortos em proporções tão altas, em comparação ao restante da população, porque existe uma cultura homofóbica no Brasil, onde os homossexuais são vistos como tendo menos valor, onde os homossexuais são hiperssexualizados como máquinas de foder sempre prontos para o sexo casual, onde o homossexual é sempre retratado como ridículo, efeminado, exagerado, folclórico, onde a tentativa de ensinar às crianças que homossexualidade é normal é rotulada de “kit gay”, onde a tentativa de dar direitos iguais aos homossexuais é rotulada de “ditadura gay”, onde a pregação de que os homossexuais são pecadores que vão pro inferno é protegida pela “liberdade de expressão”.

Se você faz piadas que confirmam os lugares-comuns dessa cultura homofóbica, que estigmatizam e ridicularizam os homossexuais, que utilizam o homossexual como xingamento como se ser homossexual fosse intrinsecamente ruim, que associam o homossexual ao pecado e à devassidão, ao ridículo e ao nojento, então você possibilita e reforça essa cultura assassina.
Você é cúmplice.
(Não deixe de ler, aqui no PapodeHomem, esse depoimento: “Queria ser hétero, mas não consigo”, editado e comentado por mim.)
Torcer o nariz para as piadas racistas, homofóbicas ou machistas de um comediante não é “patrulha”.
É o público exercendo pacificamente sua liberdade de expressão de considerar babaca um comediante que faça piadas racistas, homofóbicas ou machistas.
Esses pobres humoristas “perseguidos” que reclamam da “patrulha politicamente correta” não estão defendendo a liberdade de expressão: liberdade de expressão de verdade é o cara poder fazer piada sobre mulher estuprada e nós podermos criticá-lo por isso.
Na verdade, a liberdade que querem esses paladinos do “politicamente incorreto” é a liberdade de falar os maiores absurdos sem nunca serem criticados.
Aí é fácil, né? Assim eu também quero.
Adulto é quem sabe que falar significa se abrir para a possibilidade de ouvir a resposta. Adulto é quem entende que ele tem a mesma liberdade de falar que seus críticos tem de criticá-lo.
Pra encerrar, amigos humoristas, não esqueçam nunca qual é a função social mais importante da liberdade de expressão:
Sem ela, como saberíamos quem são os idiotas?
A questão é: quem se fode nessa piada?
Se é a vítima, o subalterno, a minoria, a mulher, o gay, o negro, etc, então essa piada é parte do problema. Ela confirma, apóia, sustenta a ideologia dominante. Ela está à serviço do machismo, do racismo, da homofobia.
Quando um gay é agredido com uma lâmpada na Av Paulista, os roteiristas do Zorra Total não podem levantar as mãos e se declarar inocentes. E nem quem assiste e ri.
Mas não é necessário vocês humoristas se autocensurarem ou se
tornarem vendedores de seguros. Por que não fazer piadas de gays… onde
são os homofóbicos que se fodem? Piadas de estupro… onde quem se fode
são os estupradores?
Vocês, humoristas, são livres para fazer piadas sobre o que quiserem. Mas também são cidadãos dotados de consciência. Os números da violência contra a mulher são impressionantes. Somos o país que mais mata gays. Nossos jovens negros são vítimas da maioria desproporcional dos homicídios.
A escolha é nossa, tanto humoristas quanto consumidores e repassadores de humor: queremos ser parte da solução ou parte do problema? Queremos estar do lado de quem mata ou estender a mão à quem está morrendo?
Essa discussão não é abstrata. Não estamos falando sobre princípios filosóficos. Tem gente morrendo AGORA.
É muito mais difícil fazer humor sem usar esses estereótipos que
confirmam e fortalecem as culturas assassinas do nosso país: a
homofobia, o machismo, o racismo.
Será que vocês conseguem? Será que conseguem, ao mesmo tempo, ser engraçados e não ser cúmplice dos assassinatos de mulheres, negros homossexuais.
Sei que não é fácil. Se fosse fácil, eu não estaria pedindo. Se fosse fácil, eu não estaria propondo o desafio.
Mas é tão necessário. É tristemente necessário.
Porque os humoristas alemães que faziam piadas de judeu em 1935 não são inocentes de Auschwitz não.
Fazer rir é relativamente fácil. Difícil é fazer rir sem ser babaca.

Se você acha que a “patrulha do politicamente correto está insuportável”, assista agora.
E depois você me conta.
Ah, atualmente, mantenho a minha veia de humorista ainda viva mantendo o tumblr Classe Média Sofre, minha humilde tentativa de fazer “humor do bem”, o que quer que isso seja. Deem uma olhada e me digam como estou me saindo.
Fonte aqui!
Essa carta é minha humilde tentativa de fazer vocês colocarem a mão na consciência.
Pra começar, me apresento.
Sou, ou fui, um de vocês. Durante grande parte da década de 90, escrevi para a Revista Mad in Brazil sob o pseudônimo Xandelon. Cheguei a ser subeditor uma época, publicava quase todo número e escrevi dezenas de matérias de capa sob encomenda. Com esse dinheiro, pagava minhas contas e vivia disso.
Essa matéria de capa, sobre a Feiticeira, é minha. Será que alguém ainda lembra dela?
Então, aos trancos e barrancos, sem nunca ter sido lá brilhante, posso dizer que já fui sim humorista profissional.
A dura vida do humorista profissional
Em teoria, o humor é simples: você cria uma expectativa, e depois a subverte.Para o humor poder existir, são necessários uma série de pressupostos culturais coletivos, compartilhados pelo humorista e seu público que, convenhamos, muitas vezes são sim machistas, homofóbicos, racistas.
A piada “Sabe como afogar uma loira? Coloca um espelho no fundo na piscina!” só funciona porque tanto humorista quanto platéia “sabem” que loiras são fúteis, vaidosas e burras. Se não compartilhassem esse “conhecimento”, não é nem que a piada não seria engraçada: ela faria tão pouco sentido que não seria nem mesmo coerente enquanto narrativa.
Naturalmente, por esse mesmo motivo, o humor é sempre local: para pessoas de outras culturas, com outros pressupostos culturais compartilhados, a historinha também não faria sentido – pois não teriam a chave pra decodificar a piada, ou seja, que loiras “são burras, fúteis e vaidosas”. (Não são.)
Se é pra sacanear alguém, sacaneie os poderosos, e não os subalternos.
Enfim, uma das últimas teorias, citadas na Wired, é que o humor viria de uma violação da ordem estabelecida, seja através de dignidade pessoal (tropeçar na casca de banana, deformidades físicas), normas linguísticas (gago, fanho, sotaques), normais sociais (comportamentos inusitados), e até mesmo normas morais (bestialidade, etc), mas que ao mesmo tempo não representasse uma ameaça ao público ou à sua visão de mundo.
Essa última parte é talvez a mais importante: a violação não pode ameaçar ou contradizer a visão de mundo do público, senão ela nem será compreensível.
Usando o mesmo exemplo acima, até dá pra fazer uma piada sem loiras, mas se a sua piada incluir uma loira, ela vai ter que ser burra, mesmo contra sua vontade, pois assim que mencionar “loira” o público já vai imaginá-la “burra“, mesmo se você acrescentar que é uma loira física nuclear ganhadora do Nobel. Nesse último caso, o público certamente pensaria que a piada era justamente sobre como a loira burra conseguiu virar física nuclear ganhadora do Nobel. Mas não dá pra desfazer a associação loira + burra.
Dois em um: piada de loira E portuguesa. E mexendo os dedinhos dos pés.
Basta não fazer piadas de loira burra.
Eu sei, eu sei. O estereótipo da loira burra é até inofensivo. É verdade, algumas das pessoas mais inteligentes que já conheci eram lindas loiras que enfrentavam dificuldades constantes de serem levadas a sério no ambiente de trabalho, mas e daí, né? No cômputo geral das coisas, é um pequeno problema.
Fazer rir utilizando esses estereótipos (a loira burra, o preto macaco, a bicha travesti, etc) é muito fácil. E eu não estou dizendo que vocês não podem não. O país é livre e temos liberdade de expressão justamente para isso.
Mas dá pra fazer diferente, eu peço.
Na verdade, eu desafio.
O machismo mata
Dez mulheres são assassinadas por dia no Brasil, colocando-o no 12º lugar no ranking mundial de homicídios contra a mulher. Uma em cada cinco mulheres já sofreu violência de parte de um homem, em 80% dos casos o seu próprio parceiro. Em 2011, o ABC paulista teve um estupro (reportado!) por dia. Na cidade de São Paulo, uma mulher é agredida a cada sete minutos — além de não ter tempo de fazer nada, essa pobre mulher ainda é agredida no chuveiro, no ônibus, até na privada!Riu? É, mas não tem graça. A solução está na mão dos homens.
Faça pouco dos poderosos que podem se defender.
Se você faz piadas que confirmam os lugares-comuns dessa cultura machista, que objetificam a mulher, que estigmatizam seu comportamento sexual, então você possibilita e reforça essa cultura assassina.
Você é cúmplice.
(Não deixe de ler, aqui no PapodeHomem, meu texto: Feminismo para homens, um curso rápido.)
O racismo mata
Entre 2002 e 2007, o número de homicídios cujas vítimas eram jovens negros aumentou 49%. De cada 100 mil habitantes, morrem por homicídio 30,3 brancos e 68,5 negros. A probabilidade de ser vítima de homicídio é 12 vezes maior para adolescentes homens e, dentro desse grupo, quatro vezes maior para jovens negros. De cada três jovens assassinados, dois são negros. A população negra teve 73% de vítimas de homicídio a mais do que a população branca.Os negros são mortos em proporções tão altas, em comparação ao restante da população, porque existe uma cultura racista no Brasil, onde os negros são vistos como tendo menos valor, onde os negros são hiperssexualizados como “negões pauzudos” ou “mulatas rebolantes”, onde o negro é sempre o preguiçoso ou o malandro, o atleta ou o faxineiro, mas nunca (ou raramente) o físico quântico ou o médico, o enxadrista ou galã pegador.
Rárárá! Esse Danilo é ótimo! Só que não.
Você é cúmplice.
A homofobia mata
Em 2010, foram mortos 260 homossexuais no Brasil, 62 a mais que em 2009 (198), um aumento de 113% desde 2007 (122). Nos EUA, com 100 milhões a mais de habitantes, moram mortos 14. Um homossexual brasileiro tem 785% mais chances de morrer vítima de violência que um norte-americano. As coisas parecem estar piorando: só nos primeiros dois meses de 2012, foram 80 assassinatos confirmados. Mantido esse padrão, teremos 500 homossexuais assassinados até o final de 2012. Nenhum país do mundo mata tantos homossexuais quanto o Brasil.Os homossexuais são mortos em proporções tão altas, em comparação ao restante da população, porque existe uma cultura homofóbica no Brasil, onde os homossexuais são vistos como tendo menos valor, onde os homossexuais são hiperssexualizados como máquinas de foder sempre prontos para o sexo casual, onde o homossexual é sempre retratado como ridículo, efeminado, exagerado, folclórico, onde a tentativa de ensinar às crianças que homossexualidade é normal é rotulada de “kit gay”, onde a tentativa de dar direitos iguais aos homossexuais é rotulada de “ditadura gay”, onde a pregação de que os homossexuais são pecadores que vão pro inferno é protegida pela “liberdade de expressão”.
Se você faz piadas que confirmam os lugares-comuns dessa cultura homofóbica, que estigmatizam e ridicularizam os homossexuais, que utilizam o homossexual como xingamento como se ser homossexual fosse intrinsecamente ruim, que associam o homossexual ao pecado e à devassidão, ao ridículo e ao nojento, então você possibilita e reforça essa cultura assassina.
Você é cúmplice.
(Não deixe de ler, aqui no PapodeHomem, esse depoimento: “Queria ser hétero, mas não consigo”, editado e comentado por mim.)
Não reclame da “patrulha”
“Patrulha” são soldados armados que podem te matar se você os desobedecer.Torcer o nariz para as piadas racistas, homofóbicas ou machistas de um comediante não é “patrulha”.
É o público exercendo pacificamente sua liberdade de expressão de considerar babaca um comediante que faça piadas racistas, homofóbicas ou machistas.
Esses pobres humoristas “perseguidos” que reclamam da “patrulha politicamente correta” não estão defendendo a liberdade de expressão: liberdade de expressão de verdade é o cara poder fazer piada sobre mulher estuprada e nós podermos criticá-lo por isso.
Na verdade, a liberdade que querem esses paladinos do “politicamente incorreto” é a liberdade de falar os maiores absurdos sem nunca serem criticados.
Aí é fácil, né? Assim eu também quero.
Nunca vi ninguém não-babaca se dizendo “politicamente incorreto”.
[E]sse pessoal que ataca minorias pra fazer piada precisa entender é que eles não estão transgredindo nada. Seus tataravôs já eram racistas, gente. Pode ter certeza que seus tataravôs já comparavam negros com macacos. Aposto como seus tataravôs já faziam gracinhas sobre a sorte que uma moça feia teve em ser estuprada. Vocês não são moderninhos, não são ousados, não são criativos. Vocês estão apenas seguindo uma tradição.Falar besteira, qualquer criança fala.
Adulto é quem sabe que falar significa se abrir para a possibilidade de ouvir a resposta. Adulto é quem entende que ele tem a mesma liberdade de falar que seus críticos tem de criticá-lo.
[O humor] não tem que ter limites. O que a gente tem que ter também é uma crítica ilimitada. O humor tem que ser solto como qualquer linguagem humana tem que ser solta e livre, o que a gente tem é que ter o direito de exercer o poder da crítica sobre isso permanentemente. Então você dizer que uma piada é racista, ou sexista, e argumentar nessa direção, não é censurá-la, é exercer seu direito de crítica.
Tudo que hoje falam do casamento gay era o que falavam do casamento interracial.
Sem ela, como saberíamos quem são os idiotas?
Façam pouco dos agressores e não dos agredidos
Não existe piada inofensiva: se alguém gargalhou é porque alguém se fudeu.A questão é: quem se fode nessa piada?
Se é a vítima, o subalterno, a minoria, a mulher, o gay, o negro, etc, então essa piada é parte do problema. Ela confirma, apóia, sustenta a ideologia dominante. Ela está à serviço do machismo, do racismo, da homofobia.
Quando um gay é agredido com uma lâmpada na Av Paulista, os roteiristas do Zorra Total não podem levantar as mãos e se declarar inocentes. E nem quem assiste e ri.
O “santo” Monteiro Lobato era muito racista – e a Emília também.
Vocês, humoristas, são livres para fazer piadas sobre o que quiserem. Mas também são cidadãos dotados de consciência. Os números da violência contra a mulher são impressionantes. Somos o país que mais mata gays. Nossos jovens negros são vítimas da maioria desproporcional dos homicídios.
A escolha é nossa, tanto humoristas quanto consumidores e repassadores de humor: queremos ser parte da solução ou parte do problema? Queremos estar do lado de quem mata ou estender a mão à quem está morrendo?
Essa discussão não é abstrata. Não estamos falando sobre princípios filosóficos. Tem gente morrendo AGORA.
O humor ajuda a perpetuar o racismo. Ou a denunciá-lo. A escolha é de vocês.
Será que vocês conseguem? Será que conseguem, ao mesmo tempo, ser engraçados e não ser cúmplice dos assassinatos de mulheres, negros homossexuais.
Sei que não é fácil. Se fosse fácil, eu não estaria pedindo. Se fosse fácil, eu não estaria propondo o desafio.
Mas é tão necessário. É tristemente necessário.
Porque os humoristas alemães que faziam piadas de judeu em 1935 não são inocentes de Auschwitz não.
Fazer rir é relativamente fácil. Difícil é fazer rir sem ser babaca.
Não deixem de assistir o documentário abaixo
Esse texto todo, na verdade, foi só pra apresentar esse documentário. Assistam. Todos os melhores argumentos estão aí. Os melhores comediantes do Brasil. Gente do mais alto gabarito.Se você acha que a “patrulha do politicamente correto está insuportável”, assista agora.
E depois você me conta.
Ah, atualmente, mantenho a minha veia de humorista ainda viva mantendo o tumblr Classe Média Sofre, minha humilde tentativa de fazer “humor do bem”, o que quer que isso seja. Deem uma olhada e me digam como estou me saindo.
Fonte aqui!
terça-feira, 17 de setembro de 2013
"Deusas violentadas” | Poderosa campanha indiana condena a violência doméstica
Todos os dias a violência contra a mulher estampa os jornais,
revistas, sites. Quando não, estão ocorrendo na casa vizinha, no bairro
vizinho, sendo assunto recorrente. No Brasil, no ano de 2012, foram
registrados 732.468 casos de violência domestica, mas, infelizmente,
esta não é uma realidade apenas local.
Por: Rafhael Peixoto
Na contramão das condutas de violência contra as mulheres, existem outras que visam subverter a lógica social, como a campanha publicitária criada pela empresa Taproot. A campanha trouxe à tona o reflexo do cotidiano, ou seja, a violência doméstica contra a mulher, impressa sob o símbolo máximo de um povo: a religião. A empresa utilizou de antigas imagens de Deusas da cultura Indiana para trazer as marcas empregadas pela violência às mulheres comuns, despertando assim um olhar de contradição no público atingido. Como as mulheres, divinizadas em determinado espaço, podem ser violentadas no seu cotidiano? Este é o reflexo que o individuo deve se ater no momento em que visualiza a peça publicitária.
As imagens são pinturas que atualizam velhos retratos a óleo de Deusas Indianas, tendo os detalhes dos adereços sido pintados ou fotografados para dar maior realidade à figura. Além da imagem, o texto é também impactante: "Reze para que este dia nunca chegue. Hoje, mais de 68% das mulheres indianas sofrem violência doméstica. Amanhã, parece que nenhuma mulher será poupada. Nem aquelas pela qual oramos".
As campanhas ainda apresentam um número disque-denúncia. Na Índia, somente no ano passado, foram registrados 244.270 crimes cometidos contra mulheres. Uma situação que precisa ser revestida e pela qual a ação se propõe. Abaixo, algumas das Deusas indianas impressas nos cartazes da campanha
Vejam as fotos aqui!
Por: Rafhael Peixoto
Na contramão das condutas de violência contra as mulheres, existem outras que visam subverter a lógica social, como a campanha publicitária criada pela empresa Taproot. A campanha trouxe à tona o reflexo do cotidiano, ou seja, a violência doméstica contra a mulher, impressa sob o símbolo máximo de um povo: a religião. A empresa utilizou de antigas imagens de Deusas da cultura Indiana para trazer as marcas empregadas pela violência às mulheres comuns, despertando assim um olhar de contradição no público atingido. Como as mulheres, divinizadas em determinado espaço, podem ser violentadas no seu cotidiano? Este é o reflexo que o individuo deve se ater no momento em que visualiza a peça publicitária.
As imagens são pinturas que atualizam velhos retratos a óleo de Deusas Indianas, tendo os detalhes dos adereços sido pintados ou fotografados para dar maior realidade à figura. Além da imagem, o texto é também impactante: "Reze para que este dia nunca chegue. Hoje, mais de 68% das mulheres indianas sofrem violência doméstica. Amanhã, parece que nenhuma mulher será poupada. Nem aquelas pela qual oramos".
As campanhas ainda apresentam um número disque-denúncia. Na Índia, somente no ano passado, foram registrados 244.270 crimes cometidos contra mulheres. Uma situação que precisa ser revestida e pela qual a ação se propõe. Abaixo, algumas das Deusas indianas impressas nos cartazes da campanha
Vejam as fotos aqui!
Assinar:
Postagens (Atom)
